1 de outubro de 2010

Traços de uma civilização avançada na Amazônia


Arqueólogos norte-americanos disseram que a floresta, e muitas partes em toda a Amazônia, foi o lar de uma civilização avançada, até mesmo espetacular, que manipularam a floresta fertilizando o solo infértil para alimentar milhares de pessoas.

Os resultados estão desacreditando uma teoria que uma vez foi o alicerce da arqueologia que por muito tempo considerou que a Amazônia, ao contrário de grande parte das Américas, foi um buraco negro histórico, seu ambiente muito hostil e sua terra muito pobre para ter sustentado grandes sociedades sedentárias. Somente tribos pequenas e primitivas de caçadores-coletores, a hipótese dizia, poderiam ter ganhavam a vida em um ambiente implacável.

Mas agora os cientistas acreditam que, em vez das tribos da idade da pedra, como os grupos que ocasionalmente saem da floresta hoje em dia, os índios que habitaram a Amazônia há séculos eram tantos quanto 20 milhões, muito mais pessoas que vivem aqui hoje.

"Há uma gigantesca pegada na floresta", disse Augusto Oyuela-Caycedo, 49, um professor colombiano, nascido na Universidade da Flórida, que está trabalhando esta faixa no nordeste do Peru.

Na parte de fora de Manaus, Eduardo Neves, um arqueólogo brasileiro de renome, e cientistas americanos descobriram enormes faixas de "terra preta", assim chamada terra indígena escura, feita de terra fértil pela mistura de resíduos de carvão, dejetos humanos e outras matérias orgânicas com o solo. Em 15 anos de trabalho que eles também encontraram extensos pomares de árvores frutíferas semi-domesticadas, apesar de aparecerem como uma floresta intocada pelo homem.

Ao longo do Xingu, um tributário do Amazonas no Brasil, Michael Heckenberger, da Universidade da Flórida, descobriu fossos, pontes, canais, redes de uma civilização estratificada que, segundo ele, existia já em 800 dC. Na Bolívia, americanos, arqueólogos alemães e finlandeses têm estudado como os índios pré-colombianos mudaram toneladas de solo e desviaram rios, grandes projetos de uma sociedade que já existiam muito antes do nascimento de Cristo.

Muitas dessas escavações em curso acompam o trabalho de Anna C. Roosevelt. Na década de 1980 na Ilha de Marajó, na foz do Amazonas, ela encontrou alicerces de casas, cerâmica elaborada e evidência de uma agricultura tão avançada ela acredita que a sociedade tinha possivelmente mais de 100.000 habitantes.

Suas conclusões iniciais, publicadas em 1991, ajudaram a redirecionar o pensamento científico sobre a Amazônia, com arqueólogos jovens que seguiram apoiando e construindo sobre suas descobertas.

"Eu penso que nós estamos humanizando a história da Amazônia", disse Neves, 44, professor da Universidade de São Paulo. "Nós não estamos olhando para a Amazônia mais como uma caixa preta. Estamos vendo que essas pessoas eram exatamente como qualquer outro lugar do mundo. Estamos dando-lhes um sentido da história".

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