6 de dezembro de 2014

Gravura de 500 mil anos pode mudar a história da humanidade



Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Leiden, na Holanda, descobriu o que parece ser a mais antiga gravura conhecida na história da humanidade. As marcas geométricas foram encontradas em uma concha de molusco fossilizada que remonta cerca de 500 mil anos atrás.

Na era colonial da Indonésia, 166 conchas de água doce foram encontradas em Trinil, um terreno de escavação comum para os paleontólogos e antropólogos. As conchas foram encontradas nas margens do rio Bengawan Solo, na regência Ngawi da Província de Java Oriental. É um local bem conhecido dado o fato de que é o sítio em que o paleontólogo holandês Eugene Dubois descobriu o famoso "Homem de Java", os primeiros restos mortais de hominídeos primitivos a serem encontrados fora da Europa.

Conforme relatado na revista Nature, a equipe da Universidade de Leiden, liderada por Josephine Joordens utilizou uma tecnologia moderna para analisar as conchas de Trinil que foram encontradas no local. A datação por carbono do sedimento nas conchas coloca sua idade entre, aproximadamente, 430 mil e 540 mil anos.

Uma das conchas que foram encontradas tinha uma borda lisa e polida, o que sugere que pode ter sido usada como uma ferramenta para corte, raspagem, etc. Uma outra delas tinha "um conjunto de ziguezagues de ranhuras cortadas nela, feitas por um instrumento pontiagudo, como um dente de tubarão. As marcas são pelo menos 300 mil anos mais velhas do que as primeiras gravuras indiscutíveis previamente conhecidas".

"É a mais antiga expressão gráfica conhecida. O comportamento é proposital. O indivíduo tinha o desejo de fazer um ziguezague de uma só vez. Não sabemos por que ele fez isso. Pode ter sido uma marca de propriedade, de um código pessoal, um presente." disse  Francesco d'Errico, da Universidade de Bordeaux, no sudoeste da França.

Marcas geométricas como estas são consideradas um sinal de habilidades comportamentais e cognitivas neuromotoras que - anteriormente - só tinham sido atribuídas ao homem moderno. Este pensamento, no entanto, agora mudou e estes resultados são indícios suficientes para imputar essas características para o Homo erectus, que abala completamente o estereótipo moderno de H. erectus, que é com uma capacidade cognitiva muito limitada.

Descobertas como essas são verdadeiramente notáveis e lançam luz sobre o quão pouco realmente sabemos sobre o nosso passado. Além disso, as descobertas que mudam o quadro atual do conhecimento nem sempre são divulgadas. Quando se trata da teoria moderna da evolução, apesar de acreditarem ser geralmente bem entendida, ainda há muito que não entendemos sobre isso. Tanto descobertas substanciais quanto minúsculas como esta ajudam a juntar as peças do quebra-cabeça complicado que é a evolução.

Fonte: Collective Evolution

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